sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Estranha solidão


Por: José Ricardo da Silva

Um dia frio a vida passa descontente, sem
o brilho do sol que nasce primeiro no oriente.
A chuva que se escorre pela janela vem acompanhada
pelo vento que trás o arrepio da solidão, e pela tristeza
embalada por uma canção.

A terra parece girar cada vez mais de vagar.
Quando vejo me pego trancado no quarto,
pensando no que deixei de fazer e no quanto
ainda me resta a pagar.

Talvez sejam os erros de não ter feito a coisa
certa que me prenda nesta solidão.
Nos dias de liberdade a felicidade é como uma
explosão, mas na maioria das vez essa infelicidade
parece mais uma prisão.

É uma solidão diferente, não estou sozinho, é um
sentimento estranho que atravessou o meu caminho.
É um sentimento que confunde e eu não entendo,
mas amar é viver desaprendendo.

Mas assim continuo caminhando, vivendo e aprendendo
errando e me desentendo.
Desenhando o amor nesse vasto chão de giz, para
te guardar sem nenhuma cicatriz.

Poema para o Projeto Bloínquês, 21º Edição Poemas - Nota 9,4

5 comentários:

  1. Hahahaha cheio das teorias la no blog. Praticamente deu uma palestra! Gostei do comentario cara, concordo com praticamente tudo! E agradeço pela leitura.

    Na real minha intençao nem era deixar o blog mais apimentado, e sim deixar mais voltado pra literatura e cinema. Duas coisas q curto pra caralho, principalmente literatura. E mostrar um pouco sobre o que escrevo (tu ja deve ter notado que é Realismo Sujo hehe. Cru e nu. Direto e sem firulas).

    Sobre teu post, nao sabia que tinha esse dote poetico! Show de bola. COmo tu cita ali, olhar pra tras e ficar se remoendo no que poderia ter feito é foda. As vezes me pego pensando em uma caralhada de coisas q fiz, e bate uma saudade do cao.

    E a ultima estrofe ficou foda tb! Acabou perfeitamente. Continuar vivendo e aprendendo, pq isso é a vida!

    Abss

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  2. "o brilho do sol que nasce primeiro no oriente"

    Gostei da frase, é a mais poética do poema.
    Só não adianta ficar remoendo as coisas que já passaram ou que vc deixou de fazer, construa novas coisas, mesmo que não seja assim tão simples.
    Sem querer desmerecer os outros, claro, mas as suas postagens são as minhas preferidas.

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  3. Fala Zé,
    bem, falando pelo cotovelos...eheh, eu lhe digo que Cazuza, cantava "O Tempo não pára". Sabe, parece que a letra dessa música com um toque aqui e outro ali, se identifica com algumas coisas no seu texto.
    Bicho, é muito complicado a gente querer entender a cabeça das pessoas. Nada como o tempo para ir corrigindo todas as coisas.
    Grande abraço e bom final de semana.

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  4. Belo poema!!!

    Muitas coisas aí, que às vezes são ditas por vc e pelo seu sentimento particular, cai como uma luva em muitas pessoas e na maneira como elas estão se sentindo!

    Realmente "O Tempo não Pára", do Cazuza (que o amigo William lembrou aí em cima) é mesmo similar... assim como no início do poema, eu lembrei tb daquela música do Djavan que começa "Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro...", rs.

    Bonito mesmo, cara! Parabéns!!!

    Abs,
    www.vemaquinomeublog.blogspot.com

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  5. Bonito poema!

    Realmente a solidão causa umas sensações estranhas na gente. Mas, se pensarmos bem, estamos solitários em todos os momentos. Por mais que haja pessoas a nossa volta, enfrentaremos a vida - e a morte, principalmente, - sozinhos.

    Acho que isso é uma das coisas que devemos aprender a enfrentar.

    Abraços!

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